O Rei das Blue-Chips!

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O objetivo deste blog é de mostrar opiniões sobre o mercado de ações no Brasil.

13/09/2012

Análise dos fundamentos da economia em geral

Um Wicked World nos espera.
Muito boa a entrevista do Ricardo Amorim de 08/2012 divulgada em seu site, neste link.

Abaixo, alguns trechos interessantes (os grifos são meus). A previsão da última frase é impressionante!

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"Imagine um mundo onde os produtos são feitos nos Estados Unidos e consumidos na China. Parece impossível, mas é neste mundo que viveremos daqui a alguns anos. A China tornou-se o grande centro de produção global ao longo dos últimos 30 anos.


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Na terra do Tio Sam, quando o limite do cartão de crédito acabava, era só pedir um cartão novo e rolar a dívida do primeiro. Quando a carteira já não cabia mais no bolso de tantos cartões, havia sempre a alternativa de refinanciar a hipoteca da casa e liberar mais uma dinheirama para financiar a gastança. Com isso, o hábito de poupar foi abolido no país. A família americana média gastava mais do que ganhava, todo santo mês. Enquanto as cigarras americanas gastavam, as formigas chinesas poupavam. Desde 1962, o consumo em proporção do PIB despencou na China, passando de 72% para 36%.

O inverno chegou. É hora de as cigarras trabalharem e as formigas cantarem. A crise financeira minou a capacidade de consumo de americanos, europeus e japoneses. Os consumidores americanos viram mais de US$ 1 trilhão em crédito sumir.

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Junto com o crédito, foram-se os empregos. Sem crédito, nem emprego, e endividados até o pescoço, os americanos foram forçados a apertar os cintos e voltar a poupar. Após a crise, a poupança das famílias americanas tem oscilado entre 4% e 6% da renda. Só há duas opções: mercados emergentes – preparem-se para uma invasão de produtos chineses por aqui – e os próprios consumidores chineses.


Por outro lado, sem a gastança dos americanos, as empresas sediadas nos Estados Unidos terão de vender seus produtos em outras bandas.

A opção natural será por mercados emergentes, onde o crédito, a renda e a demanda estão em franca expansão. Para que os Made in USA se tornem mais competitivos, o dólar terá de cair nos próximos anos, provavelmente muito. As oportunidades e riscos que esta gradual inversão de papéis entre Estados Unidos e China trarão para a economia brasileira são enormes

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Com o crescimento do consumo chinês, o agronegócio brasileiro – cujo superávit comercial passou de US$ 10 bilhões para US$ 77 bilhões desde 2000 – será ainda mais importante. A China já é o maior consumidor mundial de metais e minérios e energia.

Enquanto isso, a concorrência para as empresas brasileiras em produtos e serviços sofisticados – nos quais os americanos são competitivos – ficará ainda mais acirrada.
Em meio a estas transformações, crises, como a atual crise europeia, eclodirão nas economias desenvolvidas, causando oscilações também muito significativas nos países emergentes, incluindo o Brasil.
Quanto à inflação, com o enfraquecimento da economia brasileira, ela deve continuar em queda e deve ficar abaixo da meta de 4,5% neste ano, como eu já alertava no final do ano passado, quando ela ainda estava em elevação.

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O governo tem adotado várias medidas para combater a desaceleração da economia causada pelos efeitos globais da crise europeia.

Infelizmente, tais medidas ilustram bem os defeitos da economia brasileira. Somos o país do plano B. Falta o plano A. Não planejamos, nem temos um modelo de desenvolvimento.
Também na economia, somos o país do puxadinho, do combate à doença, ao invés da prevenção.
Já dizia Peter Drucker que a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. Nós não prevemos, não criamos, nem agimos. Apenas reagimos.

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Reações favoráveis da maior parte da opinião pública a algumas medidas recentes mostram o quanto o capitalismo ainda tem de evoluir por aqui.


O melhor exemplo é o uso de bancos públicos para forçar bancos privados a reduzirem suas taxas de juros. Sou favorável ao máximo de competição possível em qualquer setor da economia.

Entretanto, não dá para esperar que um país com os mais altos níveis de juros básicos, tributação do sistema financeiro e alíquotas de depósitos compulsórios do mundo não tenha também as mais altas taxas de juros ao consumidor e às empresas. “Mas os bancos lucram demais.” Este argumento carrega uma contradição que nos condena ao fracasso. Vivemos em um sistema capitalista onde lucrar é pecado.

Com sua atuação onipresente, o Estado quebra um dos pilares do capitalismo: a livre iniciativa.

Casos de favorecimento a grupos, empresas e indivíduos pelo Estado – sem falar em uma cachoeira de corrupção – criaram a percepção de que, no capitalismo brasileiro, qualquer lucro é suspeito. Um histórico de lucros privados e prejuízos socializados distorceu ainda mais a percepção da sociedade em relação aos empresários e empreendedores.

Nos EUA, um empresário de sucesso desperta admiração, no Brasil, desconfiança. Somos um pássaro com vergonha de voar. Esta não é uma receita de desenvolvimento, mas de atraso.O Brasil tem de adotar políticas de 12 redistribuição de oportunidades e capacitação, que tornam não apenas os pobres, mas toda a sociedade mais rica. Políticas diretas de redistribuição de renda, na maioria das vezes, tornam os ricos e a sociedade permanentemente mais pobres, e os pobres apenas temporariamente mais ricos.

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As forças que impulsionaram a economia mundial na última década, possivelmente, continuarão ao longo desta, o que sustentará nosso processo de desenvolvimento, apesar de solavancos esporádicos, como o que ocorre este ano devido à crise europeia. Não devemos deixar a decepção de 2012 nublar as perspectivas do que esta década pode trazer. Se as tendências de crescimento econômico e cambiais dos últimos anos em todo mundo continuarem iguais, antes da Copa do Mundo nossa distribuição de renda será melhor do que a dos EUA. No final da década, seremos a terceira economia mundial, nossa renda per capita avançará mais 21 posições.

Um ano depois, em 2021, nossa renda per capita será maior do que a dos americanos".

7 comentários:

  1. Eh, Merrey...

    Não gosto do Amorim. Ele sempre peca por excesso de futurologia. E é só um cara que vive de vender discursos. Claro, tem lá sua utlidade. E sua existência é fator saudável de liberdade de expressão. Portanto...

    Mas não gosto do puto e ponto..... kkkk

    Mas como o assunto alí é mais sobre economia, então de todo o blablablá, ainda bem, extraí-se pelo menos algo de valor:

    "Já dizia Peter Drucker que a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. Nós não prevemos, não criamos, nem agimos. Apenas reagimos."

    O chato é que a única crítica útil, foi justamente dita por outro cabra: Drucker (se bem que o complemento é dele: "apenas reagimos"). Mas ele deu os créditos ao autor, então uma estrelinha pro Amorim... kkk

    El Gnomo Aymorim

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    1. Eu penso o cntrário do Amorim, Gnomo. Gosto das previsões dele. Não quer dizer que eu as siga, apenas as uso para pensar.
      O cara estuda bastante, veja na matéria os profundos estudos dele sobre o mercado imobiliário.

      Análise de fundamentos é assim mesmo: vc estuda a situação atual e tenta projetar cenários futuros.

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  2. eu penso que o problema não é seguir ou não, acreditar ou não.
    erro e acerto quando o assunto é futuro são cartas que possuem o mesmo valor no presente: zero.

    estudar bastante é subjetivo. um astrológo pode ser um dedicado estudioso e o resultado disso pode ser bem pífio em relação ao esforço despendido.

    e usar cenário de situação atual como ferramenta de projeção de cenários futuros nada mais é que refletir o presente num espelho distante..... no melhor estilo science-fiction. tipo, família jetson ou mesmo star trek reproduzindo os mesmos conflitos humanos só que entre ETs lá nas profundezas do universo.

    falta maturidade filosófica nesse mantra da moda: analise fundamentalista, que a turma anda inculcando e vendendo (corretoras, bancos, cursos, etc...)nos últimos 5 anos depois do tombo de 2008.

    Em mercado toda vez que rola um tombo e a moda da vez sempre acaba perdendo todo o sentido (como na história do "rei está nu"), logo em seguida sempre vem outra (agora é a vedadeira!) pra alavancar a nova leva de "investidores"...

    El Gnomo da Moda


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  3. Merrey, esqueci de te perguntar:

    "Um ano depois, em 2021, nossa renda per capita será maior do que a dos americanos".

    Essa frase aí de cima que aparece sublinhada no final do último texto é sua ou do Aymorin?

    El Gnomo 2021

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    1. É do Amorim, está entre aspas. Apenas grifei.

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  4. Ok, perguntei pra mostrar pro senhor um troço interessante, veja:

    "Se as tendências de crescimento econômico e cambiais dos últimos anos em todo mundo continuarem iguais"

    Isso aí ele falou 4 linhas acima, confere?

    É um bocado chato perder tempo com conclusões como essas. Se vc pega as variáveis de uma fórmula e as torna imutáveis, óbvio, qualquer resultado se torna previsível.

    Então é preciso ter um certo olho crítico. O cara se veste bem, fala bem, tem carisma, dá plantão do Manhattan Connection e só da entrevista pra primeiro escalão da mídia: "o hábito faz o monge".

    E assim se constrói uma credibilidade...

    Do nada!

    El Gnomo de Itapira

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    1. O post não quer dizer que concordo com ele. Achei o texto bom para pensar sobre os assuntos, só isso.

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